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Um pouco sobre animação japonesa

A Animação Japonesa nos traz uma grande variedade de enredos. Antes de entrar em mais detalhes, iremos apresentar alguns exemplos interessantes de enredos que você provavelmente só vai encontrar nos animes - ou pelo menos, são mais bem apresentados do que em suas contrapartes aqui mencionadas.

"Uma garota solitária, mas amada pelos poucos humanos na redondeza cuida do Café de seu mestre. Localizada em uma isolada e distante rua em um planeta Terra no futuro, a raça humana esta lentamente atingindo uma pacífica extinção por falta de interesse em ter filhos e popular o mundo depois da história "como um festival" de aventuras e eventos; A garota, por sinal, é um robô perfeito..."

"A alma de dois amantes reencarna repetidas vezes depois que um experimento deu errado em seu planeta natal, e agora eles estão presos no espaço-tempo da Terra. Sem saber quem são eles, mas sempre reencarnando na mesma época, eles ainda mantêm os sentimentos entre si mesmo depois de gerações, e com cada reencarnação eles são seguidos por um grupo de almas valentes que conseguem controlar suas próprias encarnações para poder tentar encontrar e recuperar as almas perdidas e retorná-las para seu planeta no que pode apenas ser descrito em um épico romântico que transcende literalmente tempo e espaço"

"Em um mundo onde tudo é ditado pela religião, e onde as pessoas nascem sempre mulheres, podendo escolher o sexo que terão ao atingirem 17 anos, uma aventura e romance que transcende a sexualidade com personagens andrógenos que ilustram o que é verdadeiro amor"

"Viajantes do espaço-tempo encontram uma raça ambiciosa chamada Shangri'la, que pretende unir todas as dimensões em uma dimensão universal seguindo seus ideais, mas ao custo de eliminar todos os universos em todas as dimensões. A única esperança de impedi-los parece estar no passado de uma jovem garota que existe só em raras dimensões"

"Em um mundo onde a magia é uma habilidade de poucos que nascem com ela, complexos comitês e organizações controlam e policiam os usuários de magia, trazendo complexas questões éticas e morais no contexto de uso da mágica, mostrando que a presença de magia pode ser mais um problema e obstáculo para evolução social do que realmente uma solução."

"Um espírito capaz apenas de se comunicar com uma pessoa em particular, e tendo como única habilidade o poder de "reiniciar" o tempo para vários meses antes, luta para conseguir salvar a pessoa mencionada do que parece ser um destino certo de morte aparentemente sempre no mesmo dia por razões desconhecidas até ao espírito."

"Irmão e irmã se apaixonam e lutam contra preconceitos contra incesto a ponto de até mesmo considerarem o suicídio em um romance bastante incomum."

"Uma alma pecadora que matou centenas durante sua vida agora é a guardiã do inferno, com o destino de pegar inocentes amaldiçoados e levá-los para o inferno, para sempre reviver seu próprio erro."

Estes são alguns grandes exemplos de enredos desenvolvidos, envolventes e complexos derivados de alguns dos estúdios mais respeitados na indústria de animação Japonesa, todos com um enredo sólido, uma arte orientada a adultos e geralmente sem relação com merchandising e vendas.

A indústria de animes tem uma grande história de títulos fantásticos, geralmente focando no desenvolvimento dos personagens e do enredo e não focando apenas na qualidade visual da obra. Enquanto a TV e cinema ocidentais lutam para se livrar dos clichês convencionais e super-produções que focam só em efeitos especiais, o Japão a muito tem estado avançado na tradição de criar qualidade sobre quantidade. Um dos dramas para TV mais bem sucedidos e recebidos de 2006, Nodame Cantabile, tem os piores efeitos especiais rivalizando até paródias como Monthy Phython. Diga-se de passagem, até as séries de TV (ou J-Drama) seguem a regra da qualidade sobre a quantidade, e geralmente são de apenas 13 ou 26 episódios, como os animes. Pequenos animes de 13 ou 26 episódios lideram o topo das séries de qualidade como incríveis concentradoras de criatividade que, apesar de terem uma arte bem mais simples se comparada com grandes nomes como a Disney, oferecem muito mais do que os olhos podem ver - literalmente.

Desde o final dos anos ‘80, a arte oriental tem apresentado obras que agradam a todas as idades. Céticos há muito pregam que a qualidade dentro da indústria de animes estaria chegando ao fim conforme a quantidade de títulos por ano não para de crescer dentro de uma aparente queda de qualidade, mas eles estavam enganados em suas previsões ocidentalizadas. Os Animes nunca estiveram tão famosos dentro e fora do Japão. As exportações de títulos batem registros históricos, e tanto a Europa como os Estados Unidos correm para licenciar novas séries quase que instantaneamente. É verdade que a qualidade caiu bastante recentemente para a maioria dos títulos, mas isto também se deve ao fato de muitas obras focarem justamente o público ocidental, criando obras mais apelativas visualmente do que com conteúdo - ou seja, obras para exportação. Apesar da proporção de títulos de qualidade ter caído, o número absoluto de séries de qualidade na verdade aumentou. Com mais de 200 novos títulos por ano, é difícil não encontrar dúzias de títulos que se encaixam em qualquer coleção dos mais críticos, independente da qualidade visual.

De fato, a animação ocidental e até mesmos filmes agora copiam a arte e enredos orientais em uma tentativa desesperada de se recuperar de mais de uma década de re-makes fracos e títulos baseados em livros ou séries de outros países. Campeões de audiência como "O chamado" ou "O grito" são pobres (no sentido de qualidade, já que custaram varias vezes mais do que os originais) cópias de sucessos orientais que, com recursos muito menores, ainda assim são muito melhores do que as versões ocidentais cheias de efeitos. A animação para TV também copia diversas marcas até então características dos animes como os olhos grandes, marcação de emoções, personagens "chibi" (caricaturas dentro do próprio desenho) e outros. Existem também várias séries que incluem conteúdo oriental tentando atrair os fãs dos Animes. Até séries como LOST ou HEROES incluiram personagens principais Japoneses ou Orientais no que é obviamente uma tentativa de atrair os amantes do oriente. Certamente céticos vão dizer que tanto o cinema como a animação Japonesa nasceram um dia dos sucessos correspondentes nos Estados Unidos e no mundo, mas então poderíamos voltar ainda mais e lembrar que o cinema nasceu na Europa e China. A causa não importa, e se fosse verdade que os animes começaram como uma versão oriental do que era popular nos anos '60 e '70, então da mesma forma que o Japão copiou e aperfeiçoou a eletrônica e robótica se tornando o líder de tecnologia no mundo, o mesmo ocorreu com a animação.

Se alguns insistem que o Japão copiou o cinema ocidental ao criar filmes, então terá que se contentar com o fato de que eles superaram seus predecessores, e enquanto o ocidente sofre de um grave problema de criatividade, os animes não param de atingir mais fama ao trazer criatividade em novos conceitos e idéias todo ano. Alguns estudos determinaram que a causa para o sucesso dos animes é justamente sua maior deficiência: A qualidade da animação. Uma obra normal ocidental gasta muitas vezes 10 vezes mais investimento, pessoas e tempo para ser criada. Cada célula é muitas vezes criada do zero, e o objetivo é geralmente atingir os 24 quadros por segundo (fps) do cinema, enquanto que a maioria das animações do Japão ainda tem problemas para manter 15 fps e ainda assim acaba reutilizando muitas cenas e seqüências. Totalmente cientes desta deficiência e dos limites de custo dos animes, a única opção para os diretores e roteiristas foi aumentar a qualidade do conteúdo (enredo e desenvolvimento) com criatividade.

Se você acredita que os enredos mencionados neste artigo são diferentes e interessantes, lembre que mencionamos apenas alguns dos melhores animes deste site. Criatividade, novas idéias e as vezes conceitos estranhos são a marca registrada de animes de qualidade hoje em dia - muito melhor se conseguirem colocar animação de topo dentro do pacote. Um dos maiores inimigos da animação oriental, no entanto, é o constante preconceito e falta de informações que os títulos populares e os fanáticos levam à mídia e as pessoas. Títulos como Naruto, One Piece, InuYasha ou até os grandes sucessos do passado como Dragonball, Cavaleiros do Zodíaco ou as versões recortadas e maltratadas de Macross que passaram no ocidente ficam na cabeça das pessoas como se isto fosse "tudo" que os animes tem a oferecer: obras infantis para crianças, e não só isto, muitas vezes seguidas de conceitos como "baixa qualidade", "violento" ou "muito sensual". Apesar destas críticas serem corretas, elas apenas ilustram o fato de que as empresas inicialmente importaram títulos orientados à crianças ou aqueles que pareciam que renderiam mais a partir de merchandising, brinquedos e outros produtos. As emissoras insistem em mostrar por exemplo "Dragonball" dentro de programas e horários infantis, quando o original era orientado para jovens, nunca crianças de 9 anos, inclusive muitas vezes sendo transmitido de madrugada.

A maioria dos bons animes não vende merchandising ou brinquedos, e portanto, é ignorado pelas importadoras. Além disto, muitos são cortados e censurados (já que são FEITOS PARA ADULTOS ou jovens) ao serem transmitidos, e portanto acabam perdendo valor e sendo ignorados. Se você sente que gostaria de saber mais (não necessariamente assistir) sobre animação japonesa e tentar superar estes preconceitos que as pessoas tem a partir da mídia e as infelizes "cons" cheias de fanáticos que só estragam a fama dos animes (da mesma forma que os fanáticos de Star Wars fazem com que os filmes pareçam para crianças, apesar de não ser verdade), sinta-se livre para navegar em outros de nossos artigos, ler reviews dos animes mais aceitos, ou conversar com nossos usuários. Você vai descobrir que, como sempre, os animes tem muito mais do que os olhos vêem.

Se você quer uma transição leve dos cartoons ocidentais, você pode tentar começar com os fantásticos filmes (comparados com os da Disney, incluíndo o primeiro desenho a ganhar um Urso de Ouro por melhor filme) do estúdio Ghibli, as animações de Makoto Shinkai, ou as séries mais "populares" ou "críticas", dependendo de seu perfil (veja nosso sistema de notas). Bem vindo ao "novo mundo".

Nota: Os enredos mencionados nos primeiros parágrafos são respectivamente de: Yokohama Kaidashi Kikou, Fantastic Children, Simoun, Noein, Mahou tsukai ni Taisetsuna Koto (Someday's dreamer), Higurashi no Naku koro ni, Koi Kaze e Jigoku Shoujo.



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