◦ Artigo (clique para ver - possui spoilers)
0,0
Nome: Kono Minikuku mo Utsukushii sekai
Original:
Inglês: This beautiful and ugly world
Episódios: 12 eps
Época: 2004
Estilo: Ficção Ecchi
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Setting
Quando Takeru e Ryou estão indo fazer entregas em suas motos, eles presenciam um raio de luz surgindo do céu, dividindo-se, e caindo na Floresta. Ao irem averiguar, eis que uma linda e perfeita garota sai do meio da luz. Logo em seguida, atacados por um enorme monstro desconhecido, Takeru descobre que tem 'poderes' e pode se transformar em um super ser e, assim, salvar a linda Hikari - assim que a chamaram - do monstro cruel.
Andamento
Komomini tenta nos apresentar dilemas entre as dicotomias do certo e errado, verdade e mentira, amor e esperança. Para tanto, foca em personagens esteriotipados que nos 'mostram' cada característica do ser humano. O enredo tenta seguir um pouco da base científica do ciclo da vida e da morte, das extinções em massa e da mudança sobre a continuidade. No entanto, não se assuste, pois tudo isto bem de leve, passado com uma futileza que só a Gainax é capaz de fazer.
A animação é o ponto forte da obra que vai deixar muitos com água na boca querendo mais e mais episódios, e se a futilidade do desenvolvimento dos personagens (que usa e abusa de recursos clichês como 'ouvir o que os personagens pensam' ou ter o que eles pensam explicados por outros personagens 2s depois, como se o telespectador fosse idiota - ou talvez o próprio estúdio não acreditando ser capaz de passar os sentimentos sutilmente na tela) não fosse o suficiente, Konomini desaponta bastante quem espera um final mais interessante. Não é nem profundo, nem emocionante, e falta tanto a ação que alguns esperam, quanto um dialogo mais loquaz do que o de um maternal, irão estragar bastante o tom da obra.
O romancinho bobo (Entre Hikari e Takeru) que vemos no decorrer da obra, e o óbvio e batido triângulo com sua prima, serão igualmente neglegenciados e esquecidos no final, tudo em prol de um final pseudo-cultural.
Conclusão
A Gainax consegue novamente, e com grande honra, conquistar o mercado que vem a tanto tempo lutando para conquistar: o de obras 'B', com qualidade inferior a qualquer Looney toons, com enredos primitivos de Hollywood parecidos com 'Godzilla' e com bastantes seios e nudez explicita para tentar desesperadamente manter um mínimo de audiência. Konomini certamente é mais uma daquelas obras que nasceram para ser um 'hentai' com enredo ... enredo?
Konomini até consegue conter personagens interessantes e cativantes, mas a exploração e desenvolvimento parece ser inversamente proporcional à sua qualidade: A mais interessante, humana e realista personagem, Akari, é deixada como fundo do pano de fundo, outras personagens interessantes ficam por lá, e obviamente o casinho amoroso já batido e recauchutado fica em primeiro plano, e nem por isso tem um final.
Por sinal, em nenhuma parte do enredo vemos qualquer lado 'ruim' do mundo. De onde vem o dilema todo ninguem sabe. Que ele existe nós sabemos, mas Hikari deve ter uma bola de cristal para tê-lo visto.
Com uma animação excelente, boa trilha sonora, e um enredo interessante, Konomini estraga tudo em seu final ridículo. Um prato cheio, no entanto, para os fãs de fan-service e ecchi.
◦ Artigo (clique para ver - possui spoilers)
Konomini merece certamente um estudo a parte, por ser o anime que expressa com maior sucesso a linha em que a Gainax vem tentando, já em Mahoromatic, seguir.
Existe uma tentativa de se 'acertar' como se 'acertou' em Neon Genesis Evangelion: a pretenção de criar personagens 'cativantes e complexos', inseridos em uma obra com proporções épicas que envolvam a natureza humana e, certamente, tons polêmicos. Obviamente, como o exemplo já é falho e não atinge nada, já que Evangelion não conseguiu atingir nenhum destes objetivos, não é nada surpreendente que as 'copias' da própria Gainax acabem ficando piores do que o original, added some tits.
Inicialmente o enredo de Konomini é interessante, foca na separação da 'Natureza', e do bem e do mal. De um lado temos a mudança, e do outro a continuidade, e cada uma com sua característica e gosto particular e, até certo ponto, bem desenvolvidos. Hikari gosta da chuva, Akari gosta do sol; Mas tudo para por ai. Hikari é infantil e indefesa, em uma clara tentativa de criar uma personagem 'complexa' que 'não é o que parece'. Até o final, nada fica explicado, muito pelo contrário, 'foi o coração de Takeru que a deixou assim' ... lá se foi a seriedade pretendida pelo enredo, e caindo no óbvio Clichê forçado de tentar fazer o telespectador acreditar que a personagem kawai não é o que parece ser (sendo que apenas os mais afetados mentalmente não vão perceber isso logo no primeiro episódio)
Akari é menor, mas é a mais adulta. Ela é justa, honesta, consciente. O romancinho agradável dela com Ryou segue uma sutileza interessante e até surpreendente em ser vista dentro de uma obra da Gainax, quase que um romance adulto: ambos são muito humanos, e sem complexos e trágicos passados que ditam o que eles fazem, Ryou não liga em ver Akari nua e oferece a toalha, Akari não liga em ser vista nua, ela sabe dos sentimentos mútuos que prevalescem... personagens muito adultos e firmes para a obra, obviamente, ficam em terceiro plano (segundo ja seria demais). Parece até proposital, parece feito para tentar atrair àqueles fãs que gostam de algo mais realista e sutil. Falha absurdamente, pois tais telespectadores não se sentem nada a vontade em ver seus personagens em segundo plano e neglegenciados a obra inteira. O 'Destino pré-determinado' de Akari em ter que ser aquela que vai parar sua irmã se choca completamente com a proposta de que nada é pré-determinado - e Hikari eventualmente decide não destruir o mundo ... mas claro, a personagem mais forte se transforma em um pudim de leite de Clichê e segue o script imbecil pré-definido para satisfazer os produtores prepotentes que estão no momento se masturbando com a cena de nu frontal que vão exibir no momento mais romântico do último episódio.
O enredo de extinção acaba entrando em um parafuso completo de besteiras pseudo-científicas. Temos monstros que milagrosamente sobreviveram eras a espera de sua luta contra 'a exterminadora'; temos o 'representante' da era atual - Takeru - que deve lutar e destruir a 'exterminadora' mas, que surpresa, é apaixonado por ela. E eventualmente, o que estava tentando ter um mínimo de sentido em nos apresentar uma extinção e eventual renovação naturais e sutis, cria do nada alminhas na forma de borboletas, e eventualmente, um grande monstro (que a maioria vai imediatamente exclamar 'Anjo!' ou 'EVA!') que é o 'container' das almas penadas que vão substituir o mundo atual pelo novo, em uma estúpida alegoria à renovação, negando a si mesmo: O que ia ser renovado são os 'corpos velhos', em novos corpos, e não as almas. O próprio enredo, como em Evangelion, se contradizendo sem saída.
Também temos os traumas dentro dos personagens principais para tentar torná-los humanos, lembrando o fato de que aparentemente todo mundo dentro da Gainax acha que ser um ser humano é ser um psicopata psicótico ou sociopata, e que portanto, 'só são humanos os casos clínicos de psiquiatria'. Até a 'entidade' que deveria ser sem coração e recebeu um coração ao chegar a terra, repentinamente parece sempre ter tido um trauma de rejeição, como se isso explicasse o porque de seu conflito.
Muito mambo jambo, um final forçado, e o completo descaso com as melhores e mais humanas personagens como Akari, Kimi ou o próprio Ryou (não seria de espantar se for proposital ... para a Gainax, Akari deve ser o pior personagem, portanto completamente neglegenciada), tornam Konomini uma obra visual fantástica, mas um dos piores enredos já vistos por este 'crítico'. Até Evangelion se sobressai ao não ter tentado interligar todos seus aspectos em um grande enredo (e, portanto, dando a ilusão de continudade e lógica). Konomini é nada mais do que Evangelion com todos os defeitos ressaltados. Temos até o 'Anjo' sendo atacado por uma 'Chave da evolução' por nosso 'Trio heróico' ... alguém se lembra de algo semelhante, ou ninguem notou como a 'Chave' parecia a infame lança de sei la o que em Evangelion - Graças a Deus não me vem o nome a cabeça.
Se alguém quizer assistir uma boa obra sobre natureza humana, pode tentar Mahou Tsukai ni Taisetsuna koto. Sobre mudança ou continuidade? Temos várias, até X da Clamp ou RahXephon.