◦ Artigo (clique para ver - possui spoilers)
0,0
Nome: MadLax
Original:
Inglês: MadLax
Episódios: 26 eps
Época: 2004
Estilo: Ação Drama Social
- Preview
Setting
Em um país destruido por uma guerra civil - Gazth-Sonika - a 'agente' MadLax cumpre missões enviadas a ela com uma taxa de sucesso praticamente 100%. Tudo que ela se lembra é de ter sido criada por seu 'Agente', a quem ela chama SSS, sendo que ela não tem memórias mais antigas que 12 anos atrás. No país vizinho, Nafrece, Margaret Burton é uma garota distraida no colegial, e vive sendo ajudada por sua Maid Elionor, e a ex-vizinha, Vanessa. Sua distração se deve, provavelmente, ao fato de que ela perdeu sua memória 12 anos antes, sendo que a única palavra que ela se lembra é ... MadLax.
Andamento
MadLax é um excelente Thriller, que mantém mistério e suspense em toda sua dimenção. Os episódios focam alternadamente os eventos envolvendo MadLax e Margaret, cada uma em seu país, e a cada episódio, uma ligação entre as duas vai se fazendo. É extremamente interessante ver como o ciclo vai se fechando, e como lentamente elas se aproximam, e como tudo está interligado também em seus passados. E conforme os eventos em torno de cada uma faz com elas se aproximam, mais e mais perigo, mistério, e tensão aparecem. Quem é MadLax? Porque Margaret pode sentir o que MadLax sente? O que tem por trás da guerra em Gazth-Sonika? Qual a relação da guerra com ambas?
Para quem assistiu Noir, as semelhanças vão ser impressionantes (também, mesmo estúdio, mesmo estúdio sonoro, e mesmo diretor), no entanto apesar do começo bastante 'A lá Noir', as coisas mudam e a obra se torna um Thriller de suspense, e os tiros e conflitos tomam segundo plano, e o drama dos personagens, e suas relações, o foco.
Conclusão
MadLax não consegue esconder os clichês mais nítidos neste tipo de obra, e em alguns momentos isto se torna um pouco irritante. No entanto, talvez como uma novidade, eventualmente até alguns dos clichês mais 'presentes' tem uma explicação e inserção dentro do enredo - pode até ser um pouco forçado, mas não deixa de estar dentro do enredo. O Melodrama típico de momentos de tensão também surge, mas ainda assim algumas surpresas para os fãs de uns ou outros personagens podem aparecer ...
Apesar destes clichês e muitas sequências previsíveis, MadLax consegue manter um enredo interessante e envolvente, além de desenvolver bastante os personagens, muito mais do que a Bee Train fez em suas obras anteriores, o que é um bom sinal de evolução e envolvimento com o público. O enredo com tema social e bastante atual também é um forte excelente.
A trilha, como em todos os animes da dupla Bee Train + Victor Entertainment, é digna de ser comprada.
Um excelente anime - talvez não de ponta, mas não irá desapontar.
◦ Artigo (clique para ver - possui spoilers)
MadLax é certamente um prato cheio para um estudo crítico, tanto pelo seu conteudo, como pela forma com que ele é apresentado.
Com diversos furos, alguns um pouco assustadores, o enredo de MadLax ainda assim é intrigante, complexo e até certo ponto bastante surpreendente. A temática envolvida consegue tocar em dois assuntos muito importante e polêmicos (um dos quais foi tocado também em Noir - também da Bee Train e de Koichi Mashimo), que são a natureza humana, e a manipulação das massas.
O modo com que MadLax apresenta a narrativa funciona muito bem para manter o clima de tensão e mistério. Todos os detalhes de como MadLax e Margaret estão ligadas são bem bolados, e o modo com que as duas linhas de narrativa vão lentamente se entrelaçando, primeiro simplesmente pelo conhecimento do fato de Margaret lembrar-se da palavra 'MadLax', depois com Eric - o detetive dos livros - e finalmente com Vanessa, também atrai pelo detalhismo e trabalho dos roteiristas.
No entanto, diversas características do enredo tornam-o bastante previsível e até um pouco clichê demais. Madlax imortal até consegue passar, com as eventuais explicações de que ela é uma projeção de Margaret, um ser 'diferente'. No entanto, a morte de Vanessa era, no mínimo, previsível e esperada. A única 'diferença' é que sua morte foi adiada até os últimos episódios. O Melodrama em cima da morte de ambas Vanessa e Elionor também são um pouco exagerados, e somando ao fator 'previsibilidade', a morte de Vanessa foi praticamente em vão. Se ela sobrevivesse, e Elionor não, ai sim teriamos algo um pouco inesperado. Sem mencionar, claro, o famoso erro que este tipo de obra tem, em que algumas pessoas morrem com um tiro no pé, e outras sobrevivem com 4 tiros no peito: Elionor cai de um penhasco depois de levar um tiro nas costas, anda até Margaret, discute e só então morre, enquanto Vanessa leva um tiro na barriga, e morre imediatamente.
Antes de discutir o excelente enredo e mensagem, ainda sinto necessidade de expor mais alguns rombos de enredo: Quem matou Poppie (Dawn)? Só o pai de Margaret tinha uma arma naquela sequência, e Poppie se atirou para proteger Margaret, de quem? Só mais tarde seu pai perdeu o controle, e Friday Monday estava ferido e - diga-se de passagem - não tinha muira razão em atirar em ninguem. A morte de Poppie é um enorme rombo do enredo, que apenas nas especulações mais forçadas encontra algum amparo.
Outro problema é como Friday conseguiu pegar Margaret no 'Portal'. Ele simplesmente aparece lá, do nada, e então eles estão de volta para a Capela onde ele fica. Como ele passou por Nahal? Ninguem o viu? Porque ele não aproveitou e se livrou de uma vez de Vanessa, Elionor e Madlax? Uma expeculação interessante é que existia uma entrada para a caverna a partir de sua Capela, mas certamente Malice saberia.
De qualquer forma, deixemos os problemas de continuidade de lado por um momento, e vejamos a bela proposta do enredo.
Friday acredita que, removendo a razão das pessoas, e deixando-as viver apenas por seus impulsos e instintos - portanto eliminando a consciência, a moral e ética das pessoas - as pessoas seriam mais felizes. Sem inteligência, nenhuma responsabilidade, nenhuma consequencia. Movidos só por seus íntimos impulsos e instintos, as pessoas naturalmente agiriam como animais, em eterno conflito. De acordo com ele, e inegavel concordar que ele esta certo, todas as pessoas tem impulsos irracionais. Todos nós desejamos o mal dos outros em diversos momento. Como um exemplo, todo mundo já dislumbrou um momento em que poderia tirar proveito de uma situação, passar a perna em um amigo, ganhar algo em seu benefício, por mero impulso, mas a moral, a consciência, nos barrou.
Todo mundo, no fundo, tem pensamentos muitas vezes bastante sinistros, mas a razão os torna irrelevantes, enterra-os no fundo da mente, e nunca surgem em nossas vidas. Mas justamente, por não aproveitarmos as chances, e os impulsos instintivos, muitas vezes - talvez sempre - acabamos tendo preocupações em nossas vidas. Não seria 'ótimo' viver como os animais, sem preocupações, vivendo só por instintos, sem pensar que suas ações possam causar o mal aos outros?
Friday acredita que sim, que um mundo onde ninguem tem consciência, onde todos vivem tão somente por seus impulsos e instintos, seria 'um mundo perfeito', onde a 'natureza real humana' faria com que seria um mundo real, sem mentiras: de certa forma, todas as morais e éticas humanas são hipócritas, porque elas não deixam de ser regras, sentimentos e pensamentos artificiais, criados justamente para controlar nossos impulsos.
Como Vanessa ensina para Margaret em um flashback, saber o que é certo ou errado é praticamente impossível. O certo e o errado estão constantemente mudando, o que é certo hoje pode não ser amanhã. Até as morais mais básicas e 'imutáveis' como não matar, em diversos momentos da história eram comuns e até estimulados. A própria igreja, mal fazem 5 séculos, matava na inquisição. Ate hoje existem guerras, e nelas matam-se centenas de pessoas - soldados? são seres humanos. Não importa a desculpa - a hipocrisia da moral da guerra - não deixa de ser uma moral distorcida. É este o ponto em que eles chegam no anime: Nossa sociedade é uma realidade distorcida.
Mas é. E talvez seja justamente distorcer o 'óbvio' da realidade dos instintos que nos faça diferente dos animais. E é por isso que os ideais de Friday estão errados.
Outro ponto muito interessante, e particularmente agradável, é a incrível crítica às 'cruzadas anti-terrorismo' americanas. Quem não notou, a bandeira de Gazth-Sonika é exatamente a bandeira do Pakistão, e toda a analogia dos encarregados no poder manipularem as massas para a guerra é facilmente compreendida como uma crítica aos motivos americanos (e de seus aliados) em atacar os 2 paises mais produtores de Petróleo no mundo, sob pretexto 'anti-terrorista'. Só não vê, quem não quer.
Ainda como ensina Vanessa para Margaret, se o certo ou o errado são dinâmicos e impossíveis de serem definidos, existe uma, e apenas uma constante universal: A verdade - os fatos. Uma coisa pode ser certa ou errada, hoje ou em outra época, mas se ela for verdade, ela sempre será verdade: Fatos são imutáveis. Esta é a mensagem núcleo, que une ambos os temas da 'verdadeira natureza humana' e da 'manipulação das massas': talvez, o 'certo' não seja querer fazer o 'certo', ou procurar por um ideal do que é o 'certo', mas tão somente procurar a verdade.
O andamento do anime pode ser permeado de clichês, e alguns buracos de enredo podem incomodar a alguns, mas certamente toda esta tematica esta muito bem apresentada e permeada pelo enredo, os personagens são carismáticos e bem desenvolvidos, e a obra passa sua mensagem com elegância. Se não fossem os clichês e erros, certamente seria uma das melhores obras críticas já lançadas. Até a personalidade 'instável' de Briselda é bem inserida e adequada: ela não odeia MadLax, muito pelo contrário, a ama, como ela mesmo conclúi no final, o confronto final 'foi praticamente uma declaração de amor'.
Mas que a morte de Vanessa foi forçada, foi ¬¬