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Nome: Neo Ranga
Original:
Inglês: Neo Ranga
Episódios: 48 eps (x12min)
Época: 1998
Estilo: Ficção Social
- Preview
Setting
Quando um gigantesco monstro chega a Tokyo, as irmãs Ushio, Minami e Yuuhi nunca esperariam que ele veio por elas - ele é Ranga, o Deus de Barlo, e elas são suas rainhas. Agora as irmãs e Ranga passam por diversos problemas conforme o mundo não aceita a presença de um Deus, ou simplesmente não aceita sua presença em Musashino - e talvez, outros Deuses podem também não gostar de sua presença ...
Andamento
Neo Ranga possui uma trama elaborada e com diversas sutilezas que certamente irão afastar muitas pessoas. Não se deixe levar pela aparência de anime 'Mecha' por causa da presença de Ranga, nem espere momentos agradáveis e com ecchi por causa das 3 irmãs - eles existem, claro, mas em uma concentração mínima.
Neo Ranga é uma discussão (no verdadeiro sentido da palavra) filosófica sobre diversos temas, aborda pequenos e grandes dilemas sem nunca dizer o que é certo ou errado, apenas mostrando os pontos de vista e modos de se tratar com eles.
E justamente por isto, é necessário que quem for assistir saiba que não vai encontrar ação, romance ou drama normal, e sim humano. Uma obra para quem esta disposto a ver algo muito mais sério e profundo - talvez produndo demais, a ponto de ficar um pouco chato.
Importante dizer que muitos dos fansubs disponíveis desta obra em ingles tem legendas em inglês terriveis que destróem sua compreenção. Evite-os ao máximo.
Conclusão
Neo Ranga é uma obra fantastica, mas justamente por ser fantastica em sua veia filosófica, acaba pecando amargamente como anime. Eventualmente a obra fica arrastada e por momentos parece que você esta vendo apenas lições de moral. Não sempre, mas hora ou outra.
Apesar disto, a sequência final (cerca de 10 episódios) consegue trazer os assuntos mais interessantes e polêmicos de forma sutil sem cair neste exagero, e eventualmente salvam a obra. No que o início é superficial e vago, o final é profundo e suficientemente sutil para passar seus recados.
◦ Artigo (clique para ver - possui spoilers)
Ignorando grande parte do início que possui praticamente um enredo e tema individual por episódio (ou pequenos grupos), o grande enredo fica concentrado na segunda metade do anime, mais propriamente nos episódios finais.
A temática é parecida com o demonstrado em toda a obra: O que é o certo e o errado. os Kyoshinkai querem dominar o Japão e regê-lo a seu modo, Ushio quer liberdade, o governo tenta ficar em um meio termo. No entanto, todo o ponto da discussão esta concentrada principalmente nas conversas entre Ushio e sua professora: Não importa o certo ou o errado, pois na verdade eles não existem. O que existe é a convicção e os desejos de cada grupo. O certo é o que o grupo achar que é certo, o errado é o que outros grupos acharem.
Portanto, ninguem nunca será capaz de criar um sistema perfeito ou 'paradisíaco' como Ushio quer, pois sempre existirão pessoas que querem que as coisas sejam feitas de uma forma diferente, que o governo aja diferente. Portanto, é parte do atrito natural que existam divergências, e que o que é paraíso para um não é para outro.
Da mesma forma, as regras que Ushio tanto quer abolir vêem para ajudar as pessoas a menter seu paraíso: Assim como convicções, as leis são feitas por aqueles no poder que - teoricamente - são no melhor interesse do povo. Cada povo tem seu governo, e cada governo tem suas leis. O que é crime em um lugar (ou país, ou tempo), pode ser permitido e ovacionado em outro.
Portanto, no final de tudo, nada mudou. A única coisa que realmente muda é que, no final, Ushio compreende que lutar não leva a nada, e que todos devem aprender a conviver com suas diferenças. Óbviamente, algumas coisas não são tão bem vindas: Os Kyoshin, particularmente Fujikawa, queriam impor seu modo de pensar e suas regras no povo, manipulando e mandando na mídia e no governo achando que tudo isto é no melhor interesse do povo (i.e. o que eles acham é o certo e portanto o povo tem que achar o mesmo).
Enquanto Ushio quer trazer o paraíso ao abolir toda e qualquer regra e deixar o povo fazer o que quizer, os Kyoshin querem trazer o paraíso ao criar um sistema rígido onde as leis sejam seguidas a risca, onde suas crenças sejam unificadas (Apenas Ibuki pode ser o Deus, apenas a vontade de Ibuki é a correta).
E o anime passa em diversos momentos esta mesma mensagem mas em outros aspectos: A religião e seu poder de manipulação e decisão, a sociedade, o governo, e até mesmo a estranha filosofia por trás de organizações criminosas.
Bottomline é, não existem vilões, estão todos apenas lutando pelos seus ideais. Alguns acreditam que vale matar pessoas para chegar a seu paraíso (Kyoshin), enquanto outros acham que não devem ter nenhuma rigidês (Ushio) - eventualmente ambos se provam errados, e descobrem que o correto é o meio termo: A liberdade e o direito à vida, mas com regras aceitas e criadas pela sociedade, e toleradas por aqueles que não a aceitam (e eventualmente vão para outros países ou povos onde sua crença seja mais aceita).
Os Curiotes e Tao, no final, juntam o enredo filosófico com algo mais paupável. No final, justamente, Ushio nota que o que ela e Fujikawa estavam fazendo ao tentar 'lutar' por seus ideais, é exatamente a mesma coisa que Tao quer ao eliminar todos os outros Deuses e manter o universo apenas do modo que ele quizer. É por isso que Tao 'perde' quando o povo decide apoiar Ranga (é por isso que os Curiotes surgem quando Kyoshin convence o povo que Ranga esta errado): Quem realmente manda é o povo.
A melhor frase é a última de Ushio: 'Ranga é como uma faca em sua mão. Se você se apegar muito a ela, quem está no controle?'. Tao quer tanto dominar e controlar o povo, que eventualmente quem o controla é o povo.
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Tirando algumas dúvidas do anime:
1. Neo Ranga é um ser vivo, e não um Kyoshin (isto é dito no último episódio). Ele tem poderes de um Deus apenas se um Deus estiver dentro dele. No caso, Sula era o Deus que dava energia a ele. Quando Sula é morto, Laville, apesar de não ser uma Deusa, é quem dá sua energia para ele (ela é decendente dos Sula). Joel também é decendende dos Sula.
2. Os Sula eram grandes Deuses que viveram na terra e que eventualmente Tao lutou contra. Sobrando apenas 'o' Sula que vemos no anime, apesar deste ser poderoso o suficiente para lutar contra Tao e seu exército, a humanidade não quiz e portanto ele adormeceu.
3. Massaru renegou sua humanidade e se tornou um Curiote - servos imortais de Tao - que ele acredita ser o verdadeiro e único Deus. Tao realmente é poderoso, mas não faz nada contra a humanidade - se a humanidade não quizer. Por isso, enquanto a própria humanidade queria a destruição de Neo Ranga, e sendo este invencível, a única saída era destruir a própria humanidade.