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Humanos vs Robôs

Filmes, séries, revistas, livros, desenhos - todos já tocaram no inevitável futuro onde robôs substituem os humanos nas funções mais básicas e, eventualmente, não tão básicas assim. Se hoje em dia os robôs já estão em maioria em grandes fábricas, como montadoras, e até em outros setores industriais, conforme eles ficarem mais "sensíveis", menores e até inteligentes, é apenas natural que eles venham a substituir outros trabalhos. Hoje em dia, por exemplo, não precisamos ir ao banco - caixas eletrônicos nos permitem pegar dinheiro, fazer pagamentos e depósitos, e se não for necessário manipular cédulas ou cheques, podemos até fazer online, do conforto de nossas casas.

Até aqui só so metalúrgicos e operários reclamaram de sua substituição por robôs. Mas e no futuro? o que acontece quando caixas de lojas, atendentes, empregados, vigias, motoristas/cobradores etc.. começarem a serem substituidos?

Claro, existe ai uma discussão social sobre emprego e mão de obra, mas o ponto que eu gostaria de chegar aqui é outro: ignorando o fator financeiro e social, porque não os robôs? vejamos meu dia hoje, e então como seria em um futuro não muito distante, o que mudaria realmente.

Sai de casa com minha esposa para ir no cinema do Shopping. Chovia levemente e a avenida tinha algumas poças. Apesar de alguns carros terem evitado passar por algumas poças (na medida do possível), vários não deram a mínima a bola em situações que podiam desviar/reduzir, e obviamente chegamos no Shopping molhados apesar do guarda-chuva.

Com pouco tempo, minha esposa foi comprar nossa "comida" (McDonalds =p) e eu os ingressos. Ao perguntar quais poltronas do cinema queria, pedi "O15" e "O16" ... a moça perguntou a letra duas vezes até que eu mudei de idéia e disse "Ó", parece que "Ô" não é vogal. Entendido o gravíssimo detalhe linguístico, encontrei minha esposa na final do McDonalds, onde a caixa se complicava com algumas contas matemáticas nada tradicionais do tipo 12 + 6 ou 15 + 5 (que teve que fazer no papel). O "ajudante" (sim, porque todo caixa de McDonalds tem ajudante, é uma tarefa complexa) se confundiu ao trazer o lanche da pessoa a frente e teve que "remontar" o mesmo. No nosso, não colocou guarda-napos, tivemos que pedir. Depois minha esposa notou que não tinha canudo, tivemos que pedir, ele trouxe só um (ótimo) ... pedido o segundo, pudemos ir comer em paz.

Fomos ao cinema muito felizes onde pudemos ter o prazer de esperar 15 minutos (depois do horário marcado, claro) de propagandas completamente irritantes, marca registrada do Shopping Iguatemi e seu Cinesystem (faço questão de dizer qual). Você paga caro e ainda assiste 15 minutos de propaganda, muito bom.

Ao sair, minha esposa estava com muita dor de cabeça, porque aqui no Brasil, som digital surround quer dizer "Som no máximo possível para estourar os tímpanos", e no final do filme haviam algumas sequencias fortes. Já acostumamos com este abuso porque Brasileiro não desiste. Eram 22h em ponto, corri na farmácia do Shopping para comprar algum analgésico. A porta de vidro fechada, 4 atendentes no caixa olharam para mim com o maior desdém possível, uma fez sinal de "não" com o dedo. Gesticulei que precisava de algo para dor de cabeça, ela fez uma ótima cara do tipo "não, já fechamos" (era 22:02h). Ok, perfeito. Voltei e encontrei minha esposa no caminho, em frente a um "barzinho" no corredor. Decidi comprar um refri para ela beber e se sentar enquanto esperava a dor de cabeça passar, afinal estava aberto ...

Sem nem olhar para minha cara, o vendedor disse "estamos fechados". Eu olhei para os lados, pessoas ainda sentadas bebendo alguma coisa, o shopping cheio, falei "só uma Coca-Cola". O vendedor, ainda sem olhar para mim, só disse "já fechei o caixa".

Tudo bem.

Depois de 25 min (acabei conseguindo comprar um refri com preço abusivo na bomboniere do cinema) a dor de cabeça deu trequa, pudemos voltar para casa.

E este foi um dia perfeitamente normal para qualquer um em 2010.

Agora me diga, realmente, qual a diferença se tudo fosse com robôs?

Nenhum carro iria desviar das poças, afinal não faz parte da "programação" ... não mudou muito

O "atendente" do cinema estaria ou não programado para entender as nuances de "Ô" e "Ó" e certamente o mau entendido não existiria (pois eu já saberia qual ele aceita, ou ele aceitaria ambos). Ponto.

A caixa do McDonalds seria rápida e não precisaria caneta e papel para fazer 15+5, nem um ajudante retardado para pegar o lanche errado. Ponto.

O som do cinema seguiria padrões do equipamento, e certamente teriamos uma seção mais agradável. Ponto.

22h em ponto as lojas fecham, eu nem tentaria usar um pouco de compaixão para alguém com dor para arranjar um analgésico ou um refri 2 minutos depois de "fechar o caixa"

Então me digam. Se o ser humano, com sua capacidade a se adaptar, sua compaixão e humanidade, já age feito um frio e calculista robô sem nenhum jogo de cintura, porque realmente eu devo me importar? EU não vou ter meu emprego perdido porque eu penso, eu tenho jogo de cintura, eu inovo e penso no diferencial. Mas com este bando de ROBOZINHO orgânico que trabalha nas ruas, qual a diferença?

Se a caixa da farmácia não pode me dar uma cartela de Tilenol porque ela fechou a 2 minutos, ou o robozinho do bar não pode aceitar o dinheiro fora do caixa, que diferença faz?

Antes de reclamarem que seus empregos mediocres podem (e serão) ser substituidos pela informática e robótica, parem e pensem:

VOCÊ FAZ POR MERECER SEU EMPREGO COMO UM SER HUMANO?

Você faz por merecer seu diferencial por pensar?

Caso contrário, não reclame. E não duvide quando sairem as versões que toleram pequenas variações e urgências, se adaptam a situação e são programadas para o bem dos outros. Se as primeiras versões não fizerem, pode ter certeza que vão ter carros que reduzem a velocidade na poça, interpretadores de lingua natural que entendem todos os "dialetos" e "sotaques" do português (que difícil), atendentes que toleram atender clientes não abusivos 5 minutos fora do horário e, claro, tudo com rapidez e até um sorriso robótico no rosto (que ja é o que recebemos de qualquer forma).



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