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(foto do artigo - Mt. Fuji visto do Shinkansen)

Já no quinto dos infernos do Brasil a mais de 24h, o jetlag está pegando feio e meu horário biológico está pesado, sem contar o calor (só 1 ou 2 graus mais alto do que quando saí, mas parece um forno comparado com o -7 (isso ai, -7°) que pegamos em Toronto, e o -1° em Tokyo na saída. 

No dia da partida, tomamos um delicioso último café em Kyoto e fomos de mala e cuia para a estação de Kyoto (20 min +- com as malas), em uma bela manhã. Tive vontade de passar no Higashi-honjoji para pagar meus últimos tributos no Japão, mas no final estavamos com o horário um pouco apertado. Pegamos o Shinkansen e mau sabíamos que teríamos duas surpresas: Primeira, que logo depois de partir de Kyoto, a partir mais ou menos de Otsu (10 minutos depois da partida), começou a nevar. Não era nosso plano ver neve no Japão, mas por quase 10 minutos entre Otsu e Maibara vimos muita neve, os campos e cidades, as montanhas e árvores - tudo branco, e em alguns trechos quase uma nevasca caindo. Quando paramos em Maibara, já estava de volta só um nubladinho sem graça.

Pouco depois, o dia clareou e começamos a passar por uma região de muito sol, e a nova surpresa apareceu no horizonte: O Mt. Fuji em toda sua glória, sem uma núvem para atrapalhar. Foram quase 30 minutos de espera até passarmos bem a seus pés na pequena cidade de Fuji, onde babamos com sua imponência fantástica. Fotos mil, Filme e tudo mais. 

Obrigado Japão por estas surpresas deliciosas.

Saltamos em Shinagawa (uma estação antes de Tokyo Station) conforme dica do André, e pegamos o NEX. Na verdade, tentamos, mas havia esquecido que era com passagem marcada e fiquei perdido, deixei a Leine na platafoma e fui procurar a venda de tickets, e a moça que me atendeu não sabia uma palavra em inglês e não soube o que eu queria. Por sorte (e provavelmente acostumados com este tipo de turista perdido na plataforma do NEX) um funcionário da JR falou com a Leine no meio tempo e quando eu voltei, ele me levou de volta na venda de Tickets, ficou comigo até ser atendido, e me ajudou com a moça para comprar a passagem. Tudo resolvido. Pouco mais de 1h depois, estavamos no aeroporto limpo, agradável e muito bem organizado de Narita (o que? será que eu mencionei tudo isso para falar que os aeroportos do Brasil são o oposto? SERÁ? SERÁ?)

O vôo até Toronto foi agradável, mas provavelmente porque para nós ainda fez uma parte final da viagem ao Japão. Desembarcando em Toronto, tivemos que passar por 4 chegagens da imigração e uma da alfândega, e re-embarcar passando por todo procedimento de segurança. Pobres islâmicos que estavam em nosso ou outro vôo obviamente foram "aleatóreamente selecionados" para passar pelo novo intrusivo e em muitos lugares do mundo ilegais "full-body scans" que mostram até suas partes íntimas. Viva o Canadá.

Também já nos sentimos deixando o mundo civilizado no próprio Canadá (não só pelo nível inferior de atendimento), mas também ao ver que aquilo que achavamos limpo, moderno e civilizado quando chegamos em Toronto na vinda, agora parecia sujo, primitivo e medieval. O ruim não é você saber que esta deixando o melhor do mundo, é perceber que o que antes achava bom, na verdade não era tanto assim.

Enfim, o vôo para o Brasil foi cansativo, e a chegada ao Brasil, um pesadelo. Porquê? suficiente dizer: Brasil.

Agora vão ser anos, e muita terapia, para aceitar que eu vivo nesta merda.

Quando o meu jetlag e choque cultural passar, escrevo algo mais complexo sobre o que é, realmente, a experiência de tocar uma civilização diferente.

Tags: japão kyoto maibara tokyo fuji narita NEX Toronto Canadá Brasil
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